
Carlos César Belém1
Deutsches Vatapá (1997), para violino, clarineta, violoncelo, trombone, contrabaixo, piano
Nasceu no Rio de Janeiro, em 1965, graduou-se em Composição na UFRJ. Conquistou o 2º Prêmio no Concurso Nacional de Composição da Rio-Arte (1995) com a obra Rio em Pauta, para canto e violão. Atualmente é Coordenador de Pesquisa e Recursos Humanos da Escola de Música Villa-Lobos.
Deutches Vatapá é uma obra que procura explorar a multiplicidade e simultaneidade de planos e texturas sonoras, misturando alguns elementos comuns à vanguarda da década de 70, como passagens seriais ou aleatórias, a outros mais característicos da cultura brasileira, com referências, ainda que inconscientes, à "world music" de Arrigo Barnabé e Chicho Science. Da utilização de efeitos timbrísticos surge uma palheta de cores instrumentais variadas, que torna marca distintiva de várias células tratadas de forma repetitiva.
Marcus Ferrer2
Folhagem (1995), para flauta, clarineta, fagote, trombone, contrabaixo
Nascido no Rio de Janeiro, em 1963, formou-se em Composição pela Escola de Música da UFRJ, onde realizou o Mestrado sob orientação de Marisa Rezende. Participou do Grupo Música Nova, como bolsista do CNPq. Desde 1980 tem integrado conjuntos instrumentais diversos, dentre eles os premiados "Orquestra de Cordas Brasileiras" e "Nó em Pingo D'Água".
Folhagem consta de três seções principais, que apresentam ainda seccionamentos internos, a partir de jogos texturais e tímbricos claramente enunciados. As seções extremas propõem células pontilistas em poliritmia, feitas pela flauta, clarineta e fagote, em oposição à linha em uníssono do trombone e contrabaixo, formando camadas sonoras. A seção intermediária explora solos dos vários instrumentos, e ao final uma intervenção sincrônica resgata a uniformidade de articulação, antes usada como pontuação no discurso musical.
Caio Senna 3
Quinteto (1997), para violino, clarineta, trombone, violoncelo, contrabaixo
Nascido em São Paulo, em 1958, realizou o Mestrado sob a orientação de Marisa Rezende na UFRJ. Tem participado regularmente de eventos de música contemporânea, e atualmente é professor de Harmonia da Universidade do Rio de Janeiro.
Quinteto é estruturada em três seções, e sobrepõe, em sua parte inicial, uma textura uniformemente articulada, realizada pelo violino, clarineta e trombone, à uma base extremamente sincopada do violoncelo e contrabaixo. Este material toma um feitio obviamente popular, na seção central da peça, onde o solo de trombone sugere um samba-choro. O motivo melódico deste solo é o ponto de partida para uma progressiva distorção que faz retornar a textura inicial.
Pauxy Gentil-Nunes4
Músicas (1995), para flauta, clarineta, fagote, trombone, contrabaixo, piano
Nascido no Rio de Janeiro, em 1963, é flautista e Mestre em Composição pela UFRJ, onde atualmente leciona Harmonia, Análise e Composição. Iniciando sua carreira na música popular instrumental, hoje dedica-se à produção e divulgação da música brasileira de concerto. Participa regularmente de eventos de música contemporânea, sendo flautista da Camerata Contemporânea.
Músicas integra, juntamente com as obras Quarteto Cinético e Trio Náutico, um tríptico que tem como característica a conjunção de elementos discursivos tradicionais com procedimentos técnicos mais recentes de estruturação formal, conjugação que talvez possa ser chamada de pós-moderna. Estes procedimentos visam aproximar o discurso organizado de situações de liberdade expressiva máxima. "Há uma certa inflexão de ritmos e harmonias que gosto de chamar de cariocas", informa o compositor, referindo-se à seção central de sua obra, que, como o título sugere, aglutina diversos estilos e técnicas.
Alexandre Schubert5
Em Si (1994), para flauta, clarineta, piano, trombone contrabaixo
I. Busca
II. Intermezzo / Ausência
Nascido em Manhumirim (MG) em 1970, atualmente cursa o Mestrado na UFRJ, sob orientação da Profª Marisa Rezende. Atuou no Grupo Música Nova como violinista e tem participado dos principais eventos de música contemporânea brasileira. É violinista da Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal (RJ).
Em Si divide-se em três movimentos: Busca, Intermezzo e Ausência. Estruturalmente, constrói-se a partir de contrastes: a transparência de um uníssono (nota si) contrapõe-se à densidade de linhas superpostas em segundas ou clusters, momentos estáticos ritmicamente alternam-se a fragmentos polirrítmicos, assim como soli a MB. A dinâmica também se apresenta neste jogo de oposições, propondo mudanças bruscas. Estes jogos texturais concentram a expressividade sugerida pelos títulos dos movimentos.
Roberto Victório Quatro Microcânticos (1995), para flauta, clarineta, fagote, trombone, contrabaixo, piano
6 I. Movido
7 II. Lento
8 III. Surgindo
9 IV. Intenso
Nasceu no Rio de Janeiro, em 1959, tendo concluído o Mestrado em Composição em 1991 pela UFRJ. Como compositor possui mais de cem obras, muito executadas no Brasil e exterior. Ganhou vários prémios destacando-se o 1- Prémio no Concurso Latino Americano de Composição para a Orquestra de Montevideu (1985), Menção Honrosa no Concurso Internacional de Composição do Festival de Budapeste (1989) e 2- Prémio no Concurso "500 Anos das Américas" da Escola de Música da UFRJ (1992).
Quatro Microcânticos: Movido, Lento, Surgindo e Intenso, são movimentos estruturados a partir de conjuntos de células melódicas, harmónicas e rítmicas, articuladas num trabalho de colagem. Os movimentos retém traços de uma construção discursiva, enquanto o Lento privilegia pequenos solos da flauta. O terceiro movimento, Surgindo, explora a indefinição do plano temporal, uma vez que não é escrito a partir da notação rítmica tradicional, deixando ao regente e aos intérpretes a possibilidade de interpretá-los. O timbre, quer dos instrumentos isolados ou em suas combinações, realça verdadeiramente o potencial de cores individuais e do conjunto.
Alfredo Barros10
Rhythmus (1996), para flauta, clarineta, fagote, violoncelo, contrabaixo
Nascido em Teresina (PI) em 1966, concluiu o mestrado da Escola de Música da UFRJ em 1996, sob a orientação de Marisa Rezende. Participa regularmente de eventos de música contemporânea, tendo obras premiadas em concursos de composição, como Peça nº 1 para piano (primeiro lugar na XIX Apresentação de Compositores da Bahia), Opus 7 (Segundo lugar na XX Apresentação de Compositores da Bahia), A mestra (Primeiro lugar no II Congresso Nacional de Composição Psychopharmacon), entre outros.
Rhythmus como seu título sugere, explora diversas situações da relação entre pulso e articulações rítmicas. No início, em andamento vivo, um ostinato em fusas nas cordas, fornece a base para a articulação de células formadas por notas repetidas, em quiálteras, pelas madeiras, contrastando com a uniformidade das colcheias na seção central, mais calma. Andamentos alternam-se com deslocamentos de acentos, gerando zonas de instabilidade para o pulso. A dualidade de ataques staccato e legato assume função estrutural, que a grosso modo apresenta a forma de um mosaico: pequenas seções alternam-se e sobrepõem-se, num jogo de reiterações literais e variadas.
Marcos Nogueira11
A jornada e o Sonho (1997), para violino, violoncelo, clarineta, piano, trombone, contrabaixo
Nascido no Rio de Janeiro em 1962, graduou-se em Composição na UFRJ, vindo posteriormente a concluir o Mestrado. Fez parte do Grupo Música Nova da UFRJ, como bolsista do CNPq. Desde 1996 vem se aprofundando no tema utilizado em sua Tese: "Música e Ficção: introdução a uma estética da recepção", cujos resultados têm sido apresentado em seminários e congressos. É diretor da Escola de Música Villa-Lobos.
A Jornada e o Sonho, metáfora proposta por Parmênides e revivida por Platão, enquanto rota circular através da qual desenrola-se, na mente, o processo cognitivo, revela-se, por exemplo, quando o intérprete da poesia menos rege do que se deixa conduzir pela trilha do som e fala. O sonho é a situação psicológica na qual se acham mergulhados poeta e audiência, segundo outra metáfora platônica. E, uma vez que o sonho é algo que nos tem e não o contrário, todo um contexto de "significação" está neles ausente, como se a cada nova oportunidade de apreensão, nos fugisse o sentido. As duas metáforas dão impulso à criação formal da peça; nada mais nela busca remeter-nos ao viés da representação em música, assim procurando, de alguma forma, pôr em questão o papel da discursividade na leitura-escuta musical.
Marisa Rezende12
Ginga (1994), para flauta, clarineta, fagote, violoncelo, trombone, contrabaixo, piano
Nascida no Rio de Janeiro, em 1944, concluiu o Mestrado e o Doutorado na Universidade da Califórnia (EUA) em 1976 e 1985 respectivamente. Em 1987 tornou-se Professora Titular de Composição da Escola de Música da UFRJ, onde também coordena as atividades do Grupo Música Nova. Em 1992, como pós-doutorado, desenvolveu pesquisa sobre o ensino da Composição na Universidade de Keele (Inglaterra). Em 1983 conquistou o prémio UCSB Music Affiliates pela composição do "Sexteto em Seis Tempos". Tem participado de festivais nacionais e internacionais de música contemporânea (México, Inglaterra, Estados Unidos).
Ginga explora células de algumas danças africanas e brasileira (ogogo, agbadza, samba), tratadas repetitivamente. Sua estrutura alterna seções rítmicas relativamente estáticas, com passagens baseadas numa melodia simples, construída a partir de uma escala de seis sons. Existe uma intenção humorística em disfarçar esta melodia, durante os processos de variação aos quais ela é exposta, reservando para o final sua mais óbvia e apoteótica aparição.
Grupo Música Nova da UFRJRegente: Flávia Vieira
flauta: Sammy Fuks
clarineta: Cristiano Alves
clarineta: André Luiz Góes
fagote: Juliano Barbosa
trombone: João Luiz Areias
violoncelo: Saulo Moura
contrabaixo: Alexandre Brasil
violino: Antonella Pareschi
violino (participação especial): Ludmila Plitek
piano: Marisa Rezende
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