Em "Sonata par Violino nº 2", 1993 o piano abre o primeiro movimento, marcando "Sem Pressa e Bem Ritmado" com temas replicados pelo violino. É uma música com alto grau de tensao, atenuada pela melancolia quando o violino trata o tema principal com extremo sentimento, até o término da música. A abertura do segundo movimento, marcada por "Profundamente terno", é gentil e pungente até que o piano introduz uma passagem mais forte, à qual o violino replica, agora de maneira a evidenciar o estilo brasileiro - uma influência de "Saudades", tributo de Milhaud ao Brasil, prasenteiro mais também saudoso. O terceiro e último movimento corajosamente quebra o clima. "Impetuso" utiliza integralmente o tema de abertura da sonata e as passagens correspondentes, num movimento que desliza entre a tristeza, a energia e o drama, evolando-se em melodia suave, para depois retornar à impetuosidade do início, com um violino que repetidamente lembra a voz humana, até que outros violinos levam à conclusão da peça.
A "Sonata nº3" também é aberta pelo piano, em cadência marcial que logo é compartilhada pelo violino, definindo o estilo italiano de "Moderato Expressivo": o fluxo da música é bruscamente interrompido pelo piano, seguido por passagens de violino solo novamente imerso em melancolia, enquanto se desenrola um duelo entre os dois instrumentos. Como na Sonata nº 2, o violino assume um papel retórico, quase que vocal e uma passagem frenética conclui o movimento. No segundo movimento, "Terno", traz uma abertura delicada, cuja sensibilidade vai se exacerbando até chegar a um clímax agitado, seguido por uma maior tranquilidade à medida em que o movimento chega ao final. O formato do terceiro movimento permite que em seu início haja um contraponto finamente delineado entre os dois instrumentos, o que a princípio se traduz em harmonia predominantemente linear, com clara influência de ritmos e contornos melódicos brasileiros, que culminam num instigante final.
Diz-se que Guarnieri perdeu sua primeira sonata para violino num taxi e que nunca a reescreveu; assim, sua sexta sonata é chamada "Sonata para Violino nº 7". Composta entre 1977 e 1978 e nunca publicada, inicia-se com violino e piano juntos, no primeiro movimento. Novamente observa-se a abordagem distintamente retórica na partitura, em especial para o violino, com os dois instrumentos frequentemente em execuções antífonas, por vezes travando diálogos ríspidos. O segundo movimento, "Magoado", mescla tristeza e amargura: o piano introduz as primeiras notas, compartilhadas pela pungente melodia do violino, resultando numa música em que a livre harmonia, aliada a um sentimento intenso, é aprimorada até o portamento final do violino. "Alegria" tem mais a ver com a velocidade que com alegria propriamente dita. A música varia da percussão áspera até o intenso, com contrapontos de Hindemith e, pelo menos em sua abertura, conta com a influência do onipresente violino, pontuado por intervenções sincopadas do piano. O charme de "Canção Sertaneja" reside na eventual austeridade e na exagerada melancolia que permeiam as 3 sonatas; Guarnieri trata a música sertaneja com muito carinho e indulgência.