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quarta-feira, 16 de maio de 2012

Camargo Guarnieri - 4 Choros e Abertura Festiva

01 Abertura Festiva (1971)

Choro para violino e orquestra (1951)
02 I. Andante
03 II. Calmo
04 III. Allegro ritmado

05 Choro para clarineta e orquestra (1956)
Lento e nostálgico - Moderato - Lento - Allegro

Choro para violoncelo e orquestra (1961)
06 I. Decidido e apaixonado
07 II. Calmo e triste
08 III. Com alegria

Choro para viola e orquestra (1975)
09 I. Enérgico
10 II. Tristemente
11 III. Bem ritmado

Elisa Fukuda, violino
Luís Afonso Montanha, clarineta
Antonio Del Claro, violoncelo
Ricardo Kubala, viola
Orquestra Sinfônica da USP (OSUSP)
Carlos Moreno, regente


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quarta-feira, 9 de maio de 2012

Villa-Lobos - Madona (1945), para orquestra

 
A presente gravação, raríssima, foi oferecida pelo compositor Harry Crowl (a quem muito agradeço), numa interpretação da Orquestra da Rádio Belga. Não sei quem é o regente. A gravação não está boa, mas dá claramente para notar que é uma obra muito interessante. Por isso resolvi postá-la aqui (esperando que algum regente passe por aqui e resolva tocá-la/gravá-la). Passo a passo caminhamos para conhecer a obra completa (não perdida) do Villa.

Madona (1945), para orquestra

Orquestra da Rádio Belga
Regente desconhecido

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domingo, 6 de maio de 2012

Villa-Lobos - O Cor de Jesu



José só tenho uma rápida pílula para presentar: uma peça coral do Villa de 42 segundos de duração. Mas é de uma beleza, uma delicadeza extraordinária. Aliás, o cd como um todo é muito bom, as cantoras cantam com uma voz natural como nunca havia visto em música clássica. Recomendo.

O Cor de Jesu (1952)


Trio in canticis:
Guya Valmaggi, Marina Valmaggi, Alice Tamburini


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sexta-feira, 27 de abril de 2012

Luiz Cosme - Salamanca do Jarau (lenda-bailado)



Luiz Cosme nasceu na cidade Porto Alegre em 9 de março de 1908. A casa da família Cosme era o ponto de encontro da fatia gaúcha do movimento modernista, que incluía os escritores Augusto Meyer e Theodomiro Tostes e os compositores Armando Albuquerque e Radamés Gnattali. No período em que compôs o bailado "Salamanca do Jarau", Cosme dialogava tanto com os modernistas andradianos, quanto com Villa-Lobos, firmando-se em sua própria posição entre os dois polos. Relacionou-se também com o diametralmente oposto  Música Viva, de Koellruetter, embora nunca tenha integrado o grupo. Diria ele mesmo que foi o primeiro brasileiro a usar a técnica dos doze sons sem nenhuma sujeição escolástica, antes como meio expressivo e sem descaracterizar a atmosfera brasileira (vide Lambe-Lambe e Madrugada no Campo). O bailado que ora apresentamos foi estreado em 1935 pela a Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, sob a regência de Heitor Villa-Lobos, tendo sido bastante bem recebido pela crítica e pelos músicos. A partir do final da década de 1940, uma doença não identificada comprometeu seriamente sua mobilidade e interrompeu sua atividade como compositor. A partir daí, dedicou-se à produção de numerosos ensaios e livros sobre diversos temas ligados à música. Faleceu em casa no 17 de julho de 1965. 

A lenda-bailado Salamanca do Jarau tem sua construção baseada no conto homônimo de J. Simões Lopes Neto (aqui, p. 5 e seguintes). Todavia, excetuando-se a Introdução e o Desencantamento, a partitura refere-se apenas à sétima parte do conto, onde são narradas as sete provas por que Blau Nunes tem de passar dentro da furna a fim de desencantar o Santão e a princesa moura, transformada em Teiniaguá (lagartixa). A Introdução apresenta a ideia fixa da obra, a toada folclórica Boi Barrosoque Blau  canta enquanto procura o místico animal pelo Cerro do Jarau.  Outro tema que que permeia a  obra é remanescente da Oração à Teiniaguá (para violino e piano, de 1932, contida no disco A Música de Porto Alegre - Erudito I), que aqui aparece como Tema da Teiniaguá, além de outro oriundo da peça Sacy Pererê (presente no mesmo disco) que é utilizado em Tropa de Anões. São claros na composição ecos da Sagração da Primavera de Stravinsky, quem Cosme considerava "o maior compositor vivo" de sua época



I. Introdução - No Rastro do Boi Barroso (0:00 - 4:50)
II. Assombração (4:50 - 7:57)
III. Jaguares e Pumas (7:57 - 9:07)
IV. Dança dos Esqueletos (9:07 - 10:58)
V. Línguas de Fogo (9:07 - 12:32)
VI. A Boicininga (12:32 - 14:42)
VII. Ronda de Moças (14:42 - 17:46)
VIII. Tropa de Anões (17:47 - 19:25)
IX. Desencantamento (19:25 - 23:42)



Orquestra Nacional da Rádio MEC
Mario Tavares, regente
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OBS.: Devo meus agradecimentos ao anônimo que disponibilizou essa gravação raríssima por aí. Caso contrário, o único registro que teríamos seria este, precariamente gravado por mim no ano passado com a OSPA, sob a direção de Ligia Amadio.


Para ir mais além:
- MATTOS, Fernando Lewis de. A Salamanca do Jarau de Luiz Cosme: análise musical e história da recepção crítica. Dissertação (Mestrado), PPGM, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 1997.
- MATTOS, Fernando Lewis de. Estética e Música na obra de Luiz Cosme. Tese (Doutorado), PPGM, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2005.
- LOPES NETO, João Simões. Lendas do Sul. Porto Alegre: Artes e Ofícios, 2002 (está em domínio público: http://pelotas.ufpel.edu.br/ebooks/lendasdosul.pdf)
- PAULA, Elisângela Aparecida Zoborosi de. As Origens da Lenda "A Salamanca do Jarau" de Simões Lopes Neto. Revista Virtual de Letras, v. 2, n. 2, 2010.
- COSME, Luiz. Introdução à Música. Rio de Janeiro: Editora Globo, 1954.
- COSME, Luiz. Música, sempre música. Rio de Janeiro: Editora Globo, 1959.


Abaixo um ensaio do próprio Cosme, publicado no livro Música, Sempre Música, de 1959, em que ele contrasta o conto de Simões Lopes Neto, base de seu bailado, com uma descrição da peça do compositor e crítico gaúcho Paulo Guedes:
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         Às vezes, afigura-se-nos leviano o juízo de atribuírem a nós o título de anti-foiclorista ou dizerem que detestamos o folclore. Cremos que este equívoco nasceu de uma monografia de Vasco Mariz: Figuras da Música Brasileira Contemporânea, num tre­cho em que o autor, escrevendo a nosso respeito, diz o seguinte: “Assim como Duparc, o músico gaúcho destrói, sem piedade, as composições que não lhe agradam in totum. Detesta o folclorismo direto, preferindo criar ambientes populares a harmonizar temas alheios”. 
         Eis o que se pode chamar de verdadeiro engano, porque, a nosso ver, o autor, ao referir-se a folclorismo direto — no trecho acima citado — quis evidenciar que o uso do material folclórico não é limitado à introdução esporádica ou à imitação de velhas melodias e mesmo ao seu uso temático arbitrário em obras de tendências internacionais. 
          [...]
         Pelo exposto, verifica-se que eu não detesto o folclore, acho simplesmente que o seu uso não deve ficar limitado a um simples aproveitamento de ritmos e cadência, e, sim, de uma elaboração musical desses elementos populares. Seria mesmo absurdo se tal não fosse o meu pensamento, pois basta recordar a formação popular na Ars Nova italiana e francesa do século XIV, e ainda a influência popular na ópera italiana.
(COSME, Luiz. Introdução à Música. Rio de Janeiro: Editora Globo, 1954. pgs. 63 e 75)


quarta-feira, 18 de abril de 2012

Villa-Lobos: Piano Music (Cristina Ortiz, piano)


 

 01-04 Bachianas Brasileiras nº4
05-11 Seleção do "Guia Prático"
12 Poema Singelo
13 Caixinha de música quebrada
14 Saudades das selvas brasileiras nº2
15-17 As três Marias
18 Valsa da dor
19 Cirandas - nº14. A canoa virou
20 Cirandas - nº4. O cravo brigou com a rosa
21-24 Ciclo brasileiro

Cristina Ortiz, piano

London
1987

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terça-feira, 3 de abril de 2012

Camargo Guarnieri - Sonatas para Violino 2, 3 e 7; Canção Sertaneja


Violin Sonata No. 2
1 - Sem pressa em bem ritmado
2 - Profundamente terno
3 - Impetuoso

Violin Sonata No. 3
4 - Moderato expressivo
5 - Terno
6 - Decidido

Violin Sonata No. 7
7 - Enérgico
8 - Magoado
9 - Com alegria

10 - Canção Sertaneja: Dolentemente

Lavard Skou Larsen, violino
Alexander Müllenbach, piano


Falar de Guarnieri, ainda mais aqui, e ainda mais eu, é chover no molhado. Me limito à reprodução do texto do encarte, que, sinceramente, está recheado de comentários por vezes bastante óbvios ou esquisitos, só vale a pena por uma ou outra ideia ou informação... Aos interessados pelo aspecto técnico violinístico nestas sonatas, há esse ótimo artigo de André Cavazotti, que analisa as técnicas utilizadas e compara as 6 sonatas de Guarnieri (que começam a contar da 2ª) e revela que apesar de quase todo o vocabulário violinístico utilizado nas sonatas de Camargo Guarnieri pertencer ao idioma virtuosístico do século XIX, a proeminência do intervalo de quarta e o uso de uníssonos, segundas, quartas e quintas em cordas duplas em passagens acentuadamente rítmicas assemelha-se ao idioma violinístico de dois compositores nacionalistas, Bartók e Kodály. Atenção também à fantástica Canção Sertaneja, muito singela e inspirada. Uma ótima audição!


Em "Sonata par Violino nº 2", 1993 o piano abre o primeiro movimento, marcando "Sem Pressa e Bem Ritmado" com temas replicados pelo violino. É uma música com alto grau de tensao, atenuada pela melancolia quando o violino trata o tema principal com extremo sentimento, até o término da música. A abertura do segundo movimento, marcada por "Profundamente terno", é gentil e pungente até que o piano introduz uma passagem mais forte, à qual o violino replica, agora de maneira a evidenciar o estilo brasileiro - uma influência de "Saudades", tributo de Milhaud ao Brasil, prasenteiro mais também saudoso. O terceiro e último movimento corajosamente quebra o clima. "Impetuso" utiliza integralmente o tema de abertura da sonata e as passagens correspondentes, num movimento que desliza entre a tristeza, a energia e o drama, evolando-se em melodia suave, para depois retornar à impetuosidade do início, com um violino que repetidamente lembra a voz humana, até que outros violinos levam à conclusão da peça.
A "Sonata nº3" também é aberta pelo piano, em cadência marcial que logo é compartilhada pelo violino, definindo o estilo italiano de "Moderato Expressivo": o fluxo da música é bruscamente interrompido pelo piano, seguido por passagens de violino solo novamente imerso em melancolia, enquanto se desenrola um duelo entre os dois instrumentos. Como na Sonata nº 2, o violino assume um papel retórico, quase que vocal e uma passagem frenética conclui o movimento. No segundo movimento, "Terno", traz uma abertura delicada, cuja sensibilidade vai se exacerbando até chegar a um clímax agitado, seguido por uma maior tranquilidade à medida em que o movimento chega ao final. O formato do terceiro movimento permite que em seu início haja um contraponto finamente delineado entre os dois instrumentos, o que a princípio se traduz em harmonia predominantemente linear, com clara influência de ritmos e contornos melódicos brasileiros, que culminam num instigante final.
Diz-se que Guarnieri perdeu sua primeira sonata para violino num taxi e que nunca a reescreveu; assim, sua sexta sonata é chamada "Sonata para Violino nº 7". Composta entre 1977 e 1978 e nunca publicada, inicia-se com violino e piano juntos, no primeiro movimento. Novamente observa-se a abordagem distintamente retórica na partitura, em especial para o violino, com os dois instrumentos frequentemente em execuções antífonas, por vezes travando diálogos ríspidos. O segundo movimento, "Magoado", mescla tristeza e amargura: o piano introduz as primeiras notas, compartilhadas pela pungente melodia do violino, resultando numa música em que a livre harmonia, aliada a um sentimento intenso, é aprimorada até o portamento final do violino. "Alegria" tem mais a ver com a velocidade que com alegria propriamente dita. A música varia da percussão áspera até o intenso, com contrapontos de Hindemith e, pelo menos em sua abertura, conta com a influência do onipresente violino, pontuado por intervenções sincopadas do piano. O charme de "Canção Sertaneja" reside na eventual austeridade e na exagerada melancolia que permeiam as 3 sonatas; Guarnieri trata a música sertaneja com muito carinho e indulgência.


sexta-feira, 30 de março de 2012

Gilberto Mendes - Piano solo e Rismky

 

 1-16 Dezesseis peças para piano (1949-59)

17-19 Für Annette (1993), para piano

20 Pour Eliane (1995), para piano

21-25 Cinco prelúdios (145-1953), para piano

26 Rimsky (2000), para quarteto de cordas e piano

Quarteto de Cordas da cidade de São Paulo:
Betina Stegmann, 1º violino
Nelson Rios, 2º violino
Marcelo Jaffé, viola
Robert Suetholz, violoncelo

Terão Chebl, piano
Lídia Bazarian, piano (faixa 26)

LAMI/USP

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