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domingo, 15 de dezembro de 2019

Camargo Guarnieri - 50 Ponteios (Laís de Souza Brasil) (Repost - FLAC)




CD 1

Primeiro caderno (1931-1935)
1: n° 1 - Calmo, com profunda saudade (Nair de Carvalho Medeiros; 1931; 3')
2: n° 2 - Raivoso e ritmado (Carminha de Arruda Botelho; 1931; 1'50")
3: n° 3 - Dolente (Ayres de Andrade; 1931; 2'35")
4: n° 4 - Gingando (Anna Stella Schic; 1931; 0'55")
5: n° 5 - Fatigado (João Caldeira Filho; a. i.*; 3')
6: n° 6 - Apaixonado (Magdalena Tagliaferro; a. i.*; 1'14")
7: n° 7 - Contemplativo (Madeleine Benheim; a. i.*; 3'38")
8: n° 8 - Angustioso (Fritz Jank; a. i.*; 1'06")
9: n° 9 - Fervoroso (Guiomar Novais; a. i.*; 3'17")
10: n° 10 - Animado (Júlia da Silva Monteiro; 1935; 1'34")

Segundo caderno (1947-1949)
11: n° 11 - Triste (Diana Hearst; 1947; 1'38 ')
12: n° 12 - Decidido (António de Sá Pereira; 1949; 0'40")
13: n° 13 - Saudoso (Lídia Simões; 1948; 2'25")
14: n° 14 - Confiante (José Kliass; 1949; 1'55")
15: n° 15 - Incisivo (Guilherme Fontainha; 1949; 0'55")
16: n° 16 - Tranquilamente (Miécio Horszowski; 1948; 1'50")
17: n° 17 - Alegre (Antonieta Rudge; 1948; 0'46")
18: n° 18 - Nostálgico (Aloísio Alencar Pinto; 1949; 2'07")
19: n° 19 - (Homenagem a Ernesto Nazareth) - Calmo (Andrade Muricy; 1949; 1'58")
20: n° 20 - Vagaroso (Jeannette Herzog; 1949; 3'10")

Terceiro caderno (1954-1955)
21: n° 21 - Decidido (Jaime Ingram; a. i.*; 1'10")
22: n° 22 - Triste (Nené Mediei; 1954; 1'09")
23: n° 23 - Vigoroso (Ivy Improta; a. i.*; 0'48")
24: n° 24 - Tranquilo (Isabel Mourão; 1954; 2'12")
25: n° 25 - Esperto (Nelly Hirsch; 1955; 1'09")

CD 2

Terceiro caderno (fim) (1954-1955)
1: n° 26 - Calmo (Eurico Nogueira França; 1955; 3'15")
2: n° 27 - Cômodo e expressivo (Henry Jolles; a. i.*; 1'40")
3: n° 28 - Calmo e sentido (Sebastião Benda; 1954; 2'20")
4: n° 29 - Saudoso (Eliane Richepin; a. i.*; 2'25")
5: n° 30 - Sentido (Mozart de Araújo; 1955; 1'50")

Quarto caderno (1956-1957)
6: n° 31 - Triste (Alda M. Savoy de Campos; 1956; 2'36")
7: n° 32 - Com alegria (Albert Farber; 1957; 0'58")
8: n° 33 - Queixoso (Norma Bojunga; 1956; 1'58")
9: n° 34 - Calmo e solene (1956; 4'08")
10: n° 35 - Dengoso (1957; 0'49")
11: n° 36 - Tristemente (Mariuccia Iacovino; 1957; 2'55")
12: n° 37 - Com humor (Italiano Tabarin; 1957; 1 ')
13: n° 38 - Hesitante (Paulina d'Ambrosio; 1957; 2'35")
14: n° 39 - Dengoso (Kilza Setti; 1957; 0'56")
15: n° 40 - Con moto (Pavel Serebriakov; 1957; 1'37")

Quinto caderno (1958-1959)
16: n° 41 - Tristemente (Maria Abreu; 1958; 1'44")
17: n° 42 - Dengoso, mas sem pressa (Lia Cimaglia; 1958; 1'23")
18: n° 43 - Grandeoso (Ilana Vered; 1959; 1'25")
19: nº 44 - Desconsolado (Manuel Bandeira; 1959; 1'30")
20: nº 45 - Com alegria (Yara Bemette; 1959; 1'57")
21: n° 46 - Íntimo (Vera Sílvia Ferreira; 1959; 2'10")
22: n° 47 - Animado (Sequeira Costa; 1959; 1'30)
23: n° 48 - Confidencial (dedicatória oculta; 1959; 2'34")
24: n° 49 - (Homenagem a Scriabin) - Torturado (dedicatória oculta; 1959; 2'30")
25: n° 50 - Lentamente e triste (In memoriam do saudoso amigo D. F.; 1959; 3'25")

* a. i. : ano ignorado

Laís de Souza Brasil, piano

Funarte/EMI
2001

DOWNLOAD (FLAC)
419.85MB

Postagem original aqui.

domingo, 7 de novembro de 2010

Camargo Guarnieri - 50 Ponteios (Laís de Souza Brasil)


CD 1

Primeiro caderno (1931-1935)
1: n° 1 - Calmo, com profunda saudade (Nair de Carvalho Medeiros; 1931; 3')
2: n° 2 - Raivoso e ritmado (Carminha de Arruda Botelho; 1931; 1'50")
3: n° 3 - Dolente (Ayres de Andrade; 1931; 2'35")
4: n° 4 - Gingando (Anna Stella Schic; 1931; 0'55")
5: n° 5 - Fatigado (João Caldeira Filho; a. i.*; 3')
6: n° 6 - Apaixonado (Magdalena Tagliaferro; a. i.*; 1'14")
7: n° 7 - Contemplativo (Madeleine Benheim; a. i.*; 3'38")
8: n° 8 - Angustioso (Fritz Jank; a. i.*; 1'06")
9: n° 9 - Fervoroso (Guiomar Novais; a. i.*; 3'17")
10: n° 10 - Animado (Júlia da Silva Monteiro; 1935; 1'34")

Segundo caderno (1947-1949)
11: n° 11 - Triste (Diana Hearst; 1947; 1'38 ')
12: n° 12 - Decidido (António de Sá Pereira; 1949; 0'40")
13: n° 13 - Saudoso (Lídia Simões; 1948; 2'25")
14: n° 14 - Confiante (José Kliass; 1949; 1'55")
15: n° 15 - Incisivo (Guilherme Fontainha; 1949; 0'55")
16: n° 16 - Tranquilamente (Miécio Horszowski; 1948; 1'50")
17: n° 17 - Alegre (Antonieta Rudge; 1948; 0'46")
18: n° 18 - Nostálgico (Aloísio Alencar Pinto; 1949; 2'07")
19: n° 19 - (Homenagem a Ernesto Nazareth) - Calmo (Andrade Muricy; 1949; 1'58")
20: n° 20 - Vagaroso (Jeannette Herzog; 1949; 3'10")

Terceiro caderno (1954-1955)
21: n° 21 - Decidido (Jaime Ingram; a. i.*; 1'10")
22: n° 22 - Triste (Nené Mediei; 1954; 1'09")
23: n° 23 - Vigoroso (Ivy Improta; a. i.*; 0'48")
24: n° 24 - Tranquilo (Isabel Mourão; 1954; 2'12")
25: n° 25 - Esperto (Nelly Hirsch; 1955; 1'09")

CD 2

Terceiro caderno (fim) (1954-1955)
1: n° 26 - Calmo (Eurico Nogueira França; 1955; 3'15")
2: n° 27 - Cômodo e expressivo (Henry Jolles; a. i.*; 1'40")
3: n° 28 - Calmo e sentido (Sebastião Benda; 1954; 2'20")
4: n° 29 - Saudoso (Eliane Richepin; a. i.*; 2'25")
5: n° 30 - Sentido (Mozart de Araújo; 1955; 1'50")

Quarto caderno (1956-1957)
6: n° 31 - Triste (Alda M. Savoy de Campos; 1956; 2'36")
7: n° 32 - Com alegria (Albert Farber; 1957; 0'58")
8: n° 33 - Queixoso (Norma Bojunga; 1956; 1'58")
9: n° 34 - Calmo e solene (1956; 4'08")
10: n° 35 - Dengoso (1957; 0'49")
11: n° 36 - Tristemente (Mariuccia Iacovino; 1957; 2'55")
12: n° 37 - Com humor (Italiano Tabarin; 1957; 1 ')
13: n° 38 - Hesitante (Paulina d'Ambrosio; 1957; 2'35")
14: n° 39 - Dengoso (Kilza Setti; 1957; 0'56")
15: n° 40 - Con moto (Pavel Serebriakov; 1957; 1'37")

Quinto caderno (1958-1959)
16: n° 41 - Tristemente (Maria Abreu; 1958; 1'44")
17: n° 42 - Dengoso, mas sem pressa (Lia Cimaglia; 1958; 1'23")
18: n° 43 - Grandeoso (Ilana Vered; 1959; 1'25")
19: nº 44 - Desconsolado (Manuel Bandeira; 1959; 1'30")
20: nº 45 - Com alegria (Yara Bemette; 1959; 1'57")
21: n° 46 - Íntimo (Vera Sílvia Ferreira; 1959; 2'10")
22: n° 47 - Animado (Sequeira Costa; 1959; 1'30)
23: n° 48 - Confidencial (dedicatória oculta; 1959; 2'34")
24: n° 49 - (Homenagem a Scriabin) - Torturado (dedicatória oculta; 1959; 2'30")
25: n° 50 - Lentamente e triste (In memoriam do saudoso amigo D. F.; 1959; 3'25")

* a. i. : ano ignorado

Laís de Souza Brasil, piano

Funarte/EMI
2001

DOWNLOAD:
CD 1
CD 2 (atualizado em 7/11/2010)

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Edino Krieger - Sonatas


Sonata nº1 para piano
01 I. Andante
02 II. Seresta (Homenagem a Villa-Lobos)
03 III. Variações e Presto
Miguel Proença, piano

Sonata nº2 para piano
04 I. Allegro
05 II. Andantino, Moderato e Con Motto
06 III. Vivace Molto e Con Spirito
Laís de Souza Brasil, piano

Sonata para piano a quatro mãos

07 Moderato
Miguel Proença e Laís de Souza Brasil, piano

DOWNLOAD (link atualizado em 20/11/2010)


Krieger e as Sonatas para piano


As Sonatas para Piano, de Edino Krieger — que recebem neste LP o seu primeiro registro fonográfico — foram compostas na década 50, época em que o compositor produziu também o Quarteto para Cordas nº1 e a Brasiliana (para viola e cordas).

Impregnadas de atmosfera modal, quanto à sua essência melódico-harmônica, essas obras trazem reminiscências do período em que Krieger viveu nos Estados Unidos (1948-49), estudando com Aaron Copland (no Festival de Tanglewood) e Peter Menin (na Juilliard School of Music, de Nova Iorque). Pertencem a uma fase marcada pela presença de elementos temáticos de caráter nativista, dentro de um traçado formal tradicionalista. No período anterior, predominavam técnicas e linguagem vanguardistas, e um culto sistemático das formas sintéticas e miniaturistas.

A Sonata nº1 foi escrita no Rio de Janeiro, entre dezembro de 1953 e maio de 1954. Já no primeiro movimento — Andante – Allegro energico — desponta o clima modal da partitura, ao lado do emprego constante de quartas e quintas justas e dos desenhos uníssonos em dobramentos de oitava. Poulenc, Prokofiev e o próprio Aaron Copland podem ser apontados como fontes de influência para o discurso musical do autor.

O segundo tempo — Seresta — já existia antes como peça isolada, trazendo no subtítulo a menção “Homenagem a Villa-Lobos”. Trata-se de um texto em que convivem simplicidade melódica e vigor pianístico, mesclando-se a ambientação modal com características mais determinantes da música brasileira de caráter urbano.

O movimento final — Variações e Presto — inicia-se com um tema lento e expressivo, exposto em linguagem transparente. A 1ª variação (Moderato) tem caráter rítmico: o autor propõe uma nova figuração para o desenho temático (melodicamente um terço acima), usando com abundância pausas e deslocamentos de acentos. A 2ª variação (Andantino) fixa-se no aspecto melódico, começando pela exposição do tema em movimento contrário. A 3ª variação apresenta o motivo central com os valores ampliados, em contraponto com belos comentários de sabor seresteiro. A quarta — e última — variação é um Allegro scherzando de feição rítmica e virtuosística.

O Presto conclusivo fecha a Sonata em atmosfera burlesca, tipicamente brasileira: o desenho principal sugere com nitidez um frevo nordestino.


É importante ressaltar que a Sonata nº1 foi, 1959, adaptada pelo autor para orquestra de cordas, recebendo, na nova versão, o título de Divertimento para Cordas, obra que obteve o 1º Prêmio no concurso “Música e Músicos do Brasil” da Rádio MEC.

Estreada no Rio, em 1959, pelo pianista Homero Magalhães, a Sonata nº2 foi composta três anos antes, em abril de 1956, quando Krieger se aperfeiçoava em Londres, com Lennox Berkeley. A obra mantém o clima melódico-harmônico da sonata anterior, desenvolvendo-se igualmente em três movimentos.

O primeiro movimento — Allegro — apresenta acélula temática inicial em oitavas dobradas, prosseguindo em seguida na textura modal peculiar e impregnando o discurso pianístico de cristalinos trinados, procedimento que — um ano mais tarde — o autor conservaria em sua conhecida Sonatina.

O segundo movimento — Andantino — traz sugestões nordestinas com sutil tratamento harmônico, remetendo-nos ao despojamento e ao savoir-faire dos Andantes de Guarnieri. O texto caminha para um adensamento da linguagem pianística, retornando em seguida à amena beleza do clima inicial.

O tempo final — Vivace molto e com spirito — tem o caráter de uma Tocata, alternando células de acordes de quinta justas com sinuosos desenhos de oitavas dobradas. A conclusão é brilhante e virtuosística.

Primeira obra dessa série, a Sonata para Piano a Quatro Mãos foi criada em 1953, surgindo inicialmente como um Rondon-Fantasia, dedicado a Jeanette e Heitor Alimonda. Krieger posteriormente ampliou a partitura e rebatizou-a de Sonata, tornando o final pianisticamente mais eloqüente.

O autor conservou, porém, a estrutura de um único movimento de caráter monotemático: o expressivo motivo principal aparece variado no decorrer da peça, com as características essenciais do décor modal, límpidos trinados e transparentes texturas.

Em 1971, a Sonata para Piano a Quatro Mãos foi editada pela Peer International (Nova Iorque/Hamburgo).

Ronaldo Miranda

sábado, 22 de agosto de 2009

Camargo Guarnieri - Música para violoncelo e piano


01 Cantilena nº1 (1974)

Sonata nº1 (1931)
02 I. Tristonho
03 II. Apaixonadamente
04 III. Selvagem

05 Cantilena nº2 (1982)

Sonata nº2 (1955)
06 I. Allegro Moderato
07 II. Melancólico
08 III. Festivo

Sonata nº3 (1977)
09 I. Sem Pressa
10 II. Sereno e Triste
11 III. Com alegria

12 Ponteio e Dança (1946)

Antônio Lauro del Claro, violoncelo
Laís de Souza Brasil, piano

Gravado ao vivo no CCBB (data não registrada no cd)

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segunda-feira, 2 de junho de 2008

Camargo Guarnieri - Concerto nº5 para piano e orquestra


Uma sétima maior ascendente, dois semitons e uma terça menor descendente: esses intervalos sucessivos, agrupados, adquirem individualidade. Tocados pelo sopro da criatividade, são o centro gerador do Concerto nº 5. Seu momento maior está no segundo movimento, onde reina absoluto, e de onde esparge sua força para toda a composição. E ele que, sob acordes vigorosos, inicia o primeiro movimento, 'Improvisando, na orquestra, funcionando como introdução para a entrada do piano numa breve cadência. Novamente o tema aparece, nos trombones, trompas e trompetes, agora em imponente cânone a três partes em quinta superior. Contrastante, a nova entrada do piano, em estilo de improvisação elaborada, tem o tema em segundo plano, vivenciando sua versatilidade. No desenvolvimento, piano e orquestra se completam em discursos que valorizam uma rítmica animada. Sobre a atmosfera geral, paira a onipresença do tema. Guarnieri exerce sua infinita capacidade de desenvolver. A imaginação encontra a força de cada fragmento, a minúcia reina com a grandeza do todo, a integridade está no relevo de cada partícula. Tudo é essencial nesse complexo orgânico.

A reexposição traz de volta a introdução, agora entregue ao solista. O discurso seguinte, ainda ao piano, é feito sob seu próprio desenho melódico invertido, com o tema em contraponto na orquestra. Triunfante, o tema se faz ouvir ainda duas vezes ao piano, contrastando ritmicamente pela orquestra. A dinâmica se esmaece em frases sussurrantes que terminam abruptamente num extenso e rapidíssimo arpejado descendente do piano, como se uma cortina caísse pensadamente sobre tudo que passou.

Agora, uma ponte leva ao paraíso. Em surdina, violinos e violas fazem repetidamente o tema em cânone, até todos se encontrarem num acorde prolongado por nove compassos e transformado em uníssono. 'Sideral' é a atmosfera. Violinos e violas, num pedal harmônico superior em dinâmica ppp, são a perfeita transfiguração sonora do espaço incomensurável. Criado o clima, o tema se faz ouvir ao piano. No início, apenas a linha melódica sobre poucas notas essenciais. Um pouco adiante, a orquestra é incorporada, no mesmo espírito. A música atinge o sublime e descobre o mistério da beleza. Nessa aura, o texto prossegue até que, inesperadamente, dois relâmpagos cortam o ar que se tornou ameaçador. A turbulência desaparece tão repentinamente como começou, e o tema retorna no corninglês, depois na flauta com o piano dialogando em fala de extrema suavidade, exprimindo-se em doces dissonâncias, aqui superlativamente expressivas. Nova transformação se dá, e as cores se tornam cada vez mais carregadas, mas não agressivas. Com a volta do pedal harmônico nos violinos e violas, seguido do tema no piano, ocorre a reexposição, onde o tema, após reapresentado em clima semelhante ao do início do movimento, aparece pela última vez no oboé contrapontado por comentário de inspiração requintada no piano. Na coda, sobre notas prolongadas nas trompas, o piano faz suas despedidas do sonho em melancólica resignação.

No terceiro movimento, 'Jocoso, como se repetisse o processo da criação, o sopro criador desce dos corpos celestes à terra e chega ao homem. Agogô, pandeiro e caixa clara dão o colorido ao primitivismo necessário para essa volta, depois da estada em altos espaços. E o tema sublime torna-se início e impulso de um outro, brejeiro e brasileiro. Apresentado pela orquestra e depois pelo piano, ele percorre um cromatismo peculiar dentro de um gingado espirituoso. O segundo tema mantém vínculos com a terra mãe, planetária e geográfica, num sofisticado samba que conserva o espírito jocoso do primeiro, e dele se distancia por sua essência percutida. Algo da atmosfera rarefeita do segundo movimento volta no terceiro tema, de concepção serial. O piano descreve desenhos ascendentes e descendentes de oitavas aumentadas. À primeira nota de cada duas, junta-se um semitom nas flautas, clarinetas e nos fagotes, com as violas em trêmulo em ponticello. Os timbres assim associados ressaltam mais uma vez a expressividade da dissonância guarnieriana na dinâmica p, mais uma vez criando um clima de vagueza e indefinição. O contraste desse tema com os demais, surgindo sem preparação, é um alto momento musical: ele aparece duas vezes mais em forma de variação. Voltam o segundo e o primeiro temas na reexposição e, de maneira grandiosa, o tema gerador da obra. Chegamos à coda, onde depois de dialogar com brilhantismo, todas as vozes se juntam para celebrar a suprema glória de uma sétima maior ascendente, dois semitons e uma terça menor descendente.

Laís de Souza Brasil

Concerto nº5 (1970) para piano e orquestra

I. Improvisando
II. Sideral
III. Jocoso

Laís de Souza Brasil, piano
Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo

Camargo Guarnieri, regente

Gravado ao vivo em vídeo e áudio no Teatro Municipal de São Paulo, em 22/10/10972

FUN 003M/95, 1995
Funarte

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